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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Instruções (leis), ritual e santidade

Na bíblia, o livro do Êxodo relata as instruções dadas por Javé a respeito da construção do tabernáculo, altar dos holocaustos, artigos e vestes sagradas, assim como a maneira de consagrar Aarão e seu filhos e os objetos a serem usados no culto (Ex 25-31).  Conta também, como os israelitas executaram com fidelidade essas instruções dadas por Javé (Ex 35-40).

Já no início de Levítico encontramos as instruções sobre sacrifícios e tributos que Javé deu a Moisés (Lv 1-7) seguidas pelo relato da consagração dos sacerdotes (Lv 8-10) conforme o Senhor havia instruído em Êxodo.

As ilustrações abaixo nos ajudam a compreender melhor essas instruções, representando o tabernáculo, o altar, as vestes sagradas e outros artigos usados no culto a Javé.


Vista do tabernáculo criado por Gabriel L. Fink (Wikipedia)

Modelo do tabernáculo em Timna Valley Park, Israel

O Tabernáculo, Acampamento, & - Domínio Público, EUA (Wikipedia)

From "The Old Testament - A Historical and Literary Introduction...", pg. 129, by Michael D. Coogan
Sacerdotes Israelitas e peças do tabernáculo - Domínio Público, EUA (Wikipedia)


Estudiosos da bíblia identificam Levítico 17-26, chamado "Código de Santidade", como uma fonte separada porque nela se concentram palavras que têm raiz na palavra hebraica qodesh ("santidade"), traduzidas como "santo", "sagrado", "consagrado", "dedicado" etc.

O primeiro sentido da palavra qodesh é separação. O santo é aquilo que é separado do profano, do comum e do impuro. Por exemplo, Israel é santo porque foi separado por Javé das outras nações. "Sejam santos para mim, porque eu, Javé, sou santo. Eu separei vocês dos povos, para que vocês pertençam a mim" (Lv 20,26).

Vários graus de separação podem ser categorizados de acordo com pessoas, espaços e tempos. A figura abaixo retrata esses graus por uma series de círculos concêntricos: 

From "The Old Testament - A Historical and Literary Introduction...", pg. 147, by Michael D. Coogan
- minha trad. para o português



O conceito de santidade é central no "Código de Santidade" e está fundamentado no chamado de Javé que disse a Moisés: "Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: 'Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês, sou santo" (Lv 19,2). Na bíblia, a santidade de Deus consiste em sua alteridade, sua separação de tudo que é criado. Ao mesmo tempo, a santidade de Javé é encontrada no seu amor. Por isso Javé ordena no Código de Santidade o amor ao próximo e ao estrangeiro:
Ame seu próximo como a si mesmo. Eu sou Javé. (Lv 19,18b)
E se alguém migrar até vocês, e na terra de vocês estiver como migrante, não o oprimam. O migrante será para vocês um concidadão. Você o amará como a si mesmo, porque vocês foram migrantes na terra do Egito. Eu sou Javé, o Deus de vocês. (Lv 19,33-34)
As instruções (leis) e rituais dadas por Javé aos israelitas servem para fazê-los santos como Javé é santo. Vivendo essas instruções o povo incorpora na vida, na sua relação como o próximo, a aliança que o Senhor fez com ele. Assim como Javé é o totalmente Outro que se compadece do povo e age para libertá-lo, os israelitas, separados por Javé, devem agir com todos que são oprimidos. 

Finalmente, esta última ilustração é do templo construído pelo rei Salomão, narrado em 1Reis 6-7:




sábado, 13 de fevereiro de 2016

Êxodo 4,24-26 - O ataque de Javé

Este podcast analisa Êxodo 4,24-26, que relata o estranho ataque de Javé contra, supostamente, Moisés e a rápida ação de Séfora que usa de uma artimanha para apaziguar a divindade e salva Moisés.

Esta análise é para responder uma questão levanta por uma de nossas participantes do nosso estudo bíblico.

Ouça e comente essa passagem.




terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Os dez mandamentos


Êxodo 20, 2-17
Deuteronómio 5, 6-21
Fórmula Catequética
Eu sou o Senhor teu Deus,
Que te tirei da terra do Egipto,
dessa casa da escravidão.
Não terás outros deuses perante Mim.
Não farás de ti nenhuma imagem esculpida,
nem figura que existe lá no alto do céu ou cá em baixo na terra
ou nas águas debaixo da terra.
Não te prostrarás diante delas
nem lhes prestarás culto porque eu,
o Senhor teu Deus, sou um Deus cios:
castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração
daqueles que Me ofendem;
mas uso de misericórdia até à milésima geração
com aqueles que Me amam
e guardam os meus mandamentos.
Eu sou o Senhor teu Deus,
que te fiz tirei da terra do Egipto dessa da casa da escravidão.
Não terás outros deuses diante de Mim...







Primeiro: Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.
Não invocarás em vão
o Nome do Senhor teu Deus,
porque o Senhor não deixa sem castigo
quem invocar o seu Nome em vão.
Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus...
Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão.
Lembrar-te do dia do Sábado
para o santificar.
Durante seis dias trabalharás
e farás todos os trabalhos.
Mas o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus.
Não farás nele nenhum trabalho,
nem tu, nem teu filho ou tua filha,
nem o teu servo nem a tua serva,
nem o teu gado, nem o estrangeiro que vive em tua cidade.
Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra,
o mar e tudo o que eles contêm:
mas ao sétimo diz descansou.
Por isso o Senhor abençoou
o dia de sábado e o consagrou.
Guarda o dia do sábado para o santificar
Terceiro: Santificar os domingos e festas de guarda. 
Honra pai mãe,
a fim de prolongares os teus dias
na terra que o Senhor teu Deus te vai dar.
Honra teu pai e tua mãe... 
Quarto: Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
Não matarás.
Não matarás.
Quinto: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).
Não cometerás adultério. 
Não cometerás adultério. 
Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras.
Não roubarás.
Não roubarás.
Sétimo: Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo).
Não cobiçarás a casa do teu próximo.

Nono: Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
Não desejarás a mulher do próximo, nem o seu servo nem a sua serva,
o seu boi ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença.
Não desejarás a mulher do teu próximo;Não cobiçarás ... nada que pertença ao teu próximo.

Décimo: Não cobiçar as coisas alheias.


O DECÁLOGO NA SAGRADA ESCRITURA

2056. A palavra «Decálogo» significa literalmente «dez palavras» (Ex 34, 28: Dt 4, 13: 10, 4). Estas dez palavras, Deus as revelou ao seu povo na montanha sagrada. Escreveu-as com o «seu Dedo» (6), o que não aconteceu com os outros preceitos escritos por Moisés (7). São palavras de Deus num sentido eminente e foram-nos transmitidas no Livro do Êxodo(8) e no do Deuteronómio (9). Desde o Antigo Testamento que os livros santos fazem referência às «dez palavras» mas é na Nova Aliança em Jesus Cristo que será revelado o seu sentido pleno.

2057. O Decálogo compreende-se, antes de mais nada, no contexto do Êxodo que é o grande acontecimento libertador de Deus, no centro da Antiga Aliança. Quer sejam formuladas como preceitos negativos ou interdições, quer como mandamentos positivos (por exemplo: «Honra teu pai e tua mãe»), as «dez palavras» indicam as condições duma vida liberta da escravidão do pecado. O Decálogo é um caminho de vida:
«Se amares o teu Deus, andares nos seus caminhos e guardares os seus mandamentos, leis e costumes, viverás e multiplicar-te-ás» (Dt 30, 16).
Esta força libertadora do Decálogo aparece, por exemplo, no mandamento sobre o repouso do sábado, que abrange igualmente os estrangeiros e os escravos:
«Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço poderoso» (Dt 5, 15).
2058. As «dez palavras» resumem e proclamam a Lei de Deus: «Estas palavras dirigiu-as o Senhor a toda a vossa assembleia sobre a montanha, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, com voz forte, sem acrescentar mais nada: escreveu-as em duas tábuas de pedra e entregou-mas» (Dt 5, 22). Por isso é que estas duas tábuas são chamadas «o testemunho» (Ex 25, 16). De facto, elas contêm as cláusulas da aliança concluída entre Deus e o seu povo. Estas «tábuas do testemunho» (Ex 31, 18; 32, 15; 34, 29) devem ser depositadas na «arca» (Ex 25, 16: 40, 1-2).

2059. As «dez palavras» são pronunciadas por Deus no decurso duma teofania («sobre a montanha, no meio do fogo, o Senhor vos falou face a face»: Dt 5, 4). Fazem parte da revelação que Deus fez de Si mesmo e da sua glória. O dom dos mandamentos é uma dádiva do próprio Deus e da sua santa vontade. Dando a conhecer as suas vontades, Deus revela-Se ao seu povo.

2060. O dom dos mandamentos e da Lei faz parte da Aliança selada por Deus com os seus. Segundo o Livro do Êxodo, a revelação das «dez palavras» teve lugar entre a proposta da Aliança (11) e a sua conclusão (12) depois de o povo se ter comprometido a «fazer» tudo o que o Senhor tinha dito e a «obedecer» (13). O Decálogo nunca é transmitido sem primeiro se evocar a Aliança («o Senhor nosso Deus firmou connosco uma Aliança no Horeb»: Dt 5, 2).

2061. É no âmbito da Aliança que os mandamentos recebem o seu pleno significado. Segundo a Escritura, o procedimento moral do homem atinge todo o seu sentido na e pela Aliança. A primeira das "dez palavras" lembra o amor primeiro de Deus pelo seu povo:
«Como, em castigo do pecado, se tinha dado a passagem do paraíso da liberdade para a escravidão deste mundo, por esse motivo, a primeira frase do Decálogo, primeira palavra dos mandamentos de Deus, incide sobre a liberdade: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, de uma casa de escravidão" (Ex 20, 2: Dt 5, 6)» (14).
2062. Os mandamentos propriamente ditos vêm em segundo lugar e traduzem as implicações da pertença a Deus, instituída pela Aliança. A existência moral é resposta à iniciativa amorosa do Senhor. É reconhecimento, homenagem a Deus e culto de acção de graças. É cooperação com o plano que Deus prossegue na história.

2063. A Aliança e o diálogo entre Deus e o homem são ainda comprovados pelo facto de todas as obrigações serem enunciadas em primeira pessoa ("Eu sou o Senhor...") e dirigidas a um outro sujeito ("tu..."). Em todos os mandamentos de Deus, é um pronome pessoal singular que designa o destinatário. Ao mesmo tempo que a todo o povo, Deus faz conhecer a sua vontade a cada um em particular:
«O Senhor prescreveu o amor para com Deus e ensinou a justiça para com o próximo, para que o homem não fosse nem injusto nem indigno de Deus. Assim, através do Decálogo, Deus preparava o homem para se tornar seu amigo e ter um só coração com o seu próximo [...]. As palavras do Decálogo continuam a ser para nós [cristãos] o que eram; longe de serem abolidas, elas receberam amplificação e desenvolvimento, com o facto da vinda do Senhor na carne» (15).

Catecismo da Igreja Católica 

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