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quarta-feira, 23 de março de 2016

Importantes Temas no Evangelho de Marcos



O Reino de Deus

            Vimos logo no início do Evangelho de Marcos que depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia proclamando a Boa Nova de Deus: "O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo.  Convertam-se e acreditem na Boa Notícia".

            Jesus estava atento aos fatos e descobria neles os sinais da presença do reino.  À medida que Jesus vai agindo, o Reino vai se tornando cada vez mais próximo.  Os atos libertadores de Jesus vão fazendo o reinado de Deus aproximar-se cada vez mais.

            Naquele tempo, todos esperavam o Reino de Deus, mas cada um a seu modo.  Para os fariseus, o Reino só chegaria quando a observância da Lei fosse perfeita.  Para os essênios, quando o país fosse purificado.  Jesus dizia "o Reino já chegou!".  Já estava alí!  Aquilo que todos esperavam, já estava presente no meio do povo, e eles não o sabiam, nem o percebiam.  Jesus o percebeu!  E é exatamente esta presença escondida do Reino no meio do povo, que ele quer anunciar e revelar aos pobres e excluídos da sua terra, lá na Galiléia.

            Jesus quer que todos descubram a Boa Nova do Reino.  Ele ajuda o povo prestando serviço de muitas maneiras: expulsa maus espíritos (Mc 1, 39), cura os doentes e os maltratados (Mc 1, 34), acolhe o marginalizados e confraterniza com eles (Mac 2,15), etc.  Todo este serviço fazia parte da Boa Nova e revelava ao povo a presença do Reino (Mt 11,5).

            Em Jesus, tudo é revelação.  Ele anuncia, chama e convoca.  Atrai, consola e ajuda.  É uma paixão que se revela.  O serviço de Jesus é sinal de seu amor pelo Pai e pelo povo que sofre.  Ele não só anuncia a Boa Nova do Reino.  Ele mesmo é uma amostra, um testemunho vivo do Reino.  Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida.  Pelo seu jeito de conviver e de agir, Jesus revelava a vontade e o desejo do Pai para o seu povo.

            O anúncio do Reino começou pequeno como uma semente, mas foi crescendo até tornar-se árvore grande, onde o povo todo procurava um abrigo (Mc 4, 31-32).






O Segredo Messiânico: por que Jesus não se revela?
  
            O texto da transfiguração de Jesus (9, 2-13) que estudamos e meditamos recentemente nos traz uma das atitudes típicas de Jesus no Evangelho de Marcos: “Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos”. Jesus não quer ser reconhecido como o Filho do Homem e o Messias antes de passar pela morte e ressurreição.  Até lá isso é um segredo.  Por que Jesus não se revela? Qual é o objetivo que levou Marcos a insistir tanto no tema do segredo messiânico?

            No tempo de Jesus, a maior parte da população da Palestina vivia em condições miseráveis, sem nenhuma perspectiva de uma vida melhor.  Eles eram marginalizados e explorados pelos romanos e pela elite da Palestina que colaborava com a dominação romana para manter seus privilégios.

            Nesta situação de extrema crise e desespero, o povo espera ansiosamente por um “Messias”, um rei guerreiro e vitorioso, que libertaria miraculosamente Israel do domínio e restauraria a gloriosa hegemonia judaica dos tempos de Davi e Salomão sobre outras nações.  A festa das tendas, cenário da transfiguração (cf. Mc 9,5), era uma celebração nacional de Javé rei e a festa preferida pelo povo para manifestar tal esperança messiânica e triunfalista.

            Nesta expectativa messiânica, Jesus de Nazaré aparece diante do povo com fama de ser um homem poderoso e milagreiro.  Na medida que Jesus fazia os milagres, a expectativa do povo em torno dele aumentava.  Foi nesta febre messiânica que o povo queria consagrar Jesus como seu rei triunfante após a multiplicação dos pães (cf. Jo 6, 14-15).

            A imagem do Messias que nasce da prática de Jesus (cf. Mc 1, 41; 2, 15; 10, 45; 11, 17) é exatamente o contrário da imagem apresentada pelas ideologias messiânicas do seu tempo.  Jesus certamente queria libertar o povo de Israel de todas as suas opressões, mas de outro jeito.  Por isso, Jesus não se apresentou como Messias, mas a partir de sua vida e sua prática foi reconhecido pelos pobres como o enviado de Deus. Ele insiste no messianismo do Servo Sofredor de Javé, anunciado pelo profeta Isaias (Is 53, 1-13).  Sua missão consiste em passar pela paixão-morte-ressurreição, e isso ele dizia abertamente (cf. Mc 32a ).

            O messianismo triunfalista não é parte apenas do passado, ainda hoje ele é moda. No mundo onde grande parte da população vive em condições miseráveis e parte parece ter perdido o sentido de viver, os movimentos messiânicos aumentam cada vez mais o número de seus membros.  Em toda parte há pessoas que rezam, cantam e fazem promessas de diversos tipos, pedindo intervenção imediata de Deus para a solução dos problemas sem nenhum tipo de comprometimento.  Muitas pessoas esquecem da presença de Deus já encarnado neste mundo e nada fazem para melhorar a situação injusta e desumana junto com Ele.




Discípulo e Comunidade de Jesus

                  O Evangelho de Marcos é uma escola para se tornar discípulo e discípula do Senhor, assumindo o seguimento de Jesus e a vida em Comunidade. Nele vemos retratados os desafios e as dificuldades que afetam os discípulos de Jesus e a vida em Comunidade de fé. Mas encontramos, sobretudo, o incentivo e a esperança de quem deseja trilhar o caminho do serviço, da humildade e do amor; o caminho de Deus, que passa pela cruz.
                  É preciso fazer este caminho com o coração cheio de esperança; colocar nossos pés nas pegadas dos discípulos; ter atenção aos lugares, ao ambiente e às pessoas; perceber os sentimentos presentes no coração do povo, dos interlocutores, dos discípulos e do próprio Jesus; no entanto, o mais importante é ter os nossos olhos fixos na pessoa de Jesus que se revela como o Filho de Deus, esperança de vida e salvação para a humanidade e para cada um de nós, em particular.
                  A ação e a mensagem de Jesus se entrelaçam nas tramas da história, nas reações humanas de acolhimento e rejeição, adesão e suspeita, entusiasmo e perplexidade. No entanto, o evangelho de Marcos é o perfeito retrato de cada um de nós e de nossas Comunidades que buscam a face do Senhor e desejam viver a vida de fé em meio às incertezas, inseguranças e instabilidades deste mundo. Os discípulos sentiram as mesmas dificuldades que sentimos. A Comunidade de Marcos passou por desafios semelhantes aos nossos. É preciso se colocar na escola de Jesus, na procura de respondermos sempre e em toda parte: “Quem é Jesus e quem são os seus discípulos?”
                  O evangelho mostra claramente, um entusiasmo inicial empolgante – como todas as pessoas que fazem planos, iniciam uma atividade ou desejam seguir um caminho. Todos se sentem atraídos pela pessoa de Jesus e animados pelos seus “milagres”. Porém, logo começam as contradições e Jesus passa a não corresponder com a idéia que eles faziam do “Messias” esperado. Jesus e sua proposta parecem incomodar e criar dificuldades nos diferentes grupos. Surge a luz escura da cruz e o não-entendimento toma conta do coração deles. Os discípulos terminam cheios de assombro, não compreendendo a pessoa de Jesus e sua missão e com medo. No final, poucas pessoas conseguem ver aquilo que já estava dito no primeiro versículo do evangelho, que Jesus era o Filho de Deus. É gritante a contradição, pois o reconhecimento vem por parte de um cego, Bartimeu (10, 52) e de um pagão, soldado romano (15,39). Apesar disso, na conclusão do evangelho cresce a vitória sobre a morte e aparece como luz irradiante a Boa Notícia (15, 42ss): “Ele vai à vossa frente para a Galiléia” (16,7), lá onde tudo começou. É o convite a refazermos o caminho com Jesus, o caminho da vida nova e da salvação.
                  Assim, o discípulo e a Comunidade de Jesus devem percorrer o caminho do evangelho para estarem com Jesus e compartilharem seu destino e sua missão.


Ausência e Presença de Jesus:  O túmulo vazio

            Como conta o “final original” do Evangelho de Marcos, no primeiro dia da semana, três mulheres levam perfumes com a intenção de ungir o corpo de Jesus dizendo entre si “Quem vai tirar para nós a pedra da entrada do túmulo?”  Tudo parece indicar fragilidade e pequenez.  Elas haviam testemunhado o trágico desfecho da vida de seu Mestre (Mc 15, 40 – 41) e agora estão diante do mistério do túmulo vazio.  Nesta hoja elas receberam o anúncio e o encargo de comunicar aos discípulos que se dirijam à Galiléia.  O susto e o medo destas mulheres refletem a ambigüidade das atitudes diante da mensagem central de todos os Evangelhos – a ressurreição de Jesus.
           
            Marcos 16, 1-8 constitui o final primitivo do Evangelho que relata o anúncio de um jovem às mulheres “Ele ressuscitou! Ele não está aqui” e testemunha a experiência da ressurreição pelo fato de que o túmulo está vazio.  Neste primeiro e mais antigo final do Evangelho não há relato de aparições de Jesus.  O sinal da ressurreição é o túmulo vazio “Vejam o lugar onde o puseram”.  A experiência da ressurreição não é apenas um encontro com um corpo redivivo, mas um convite para encontrar Jesus onde tudo começou:  na Galiléia, no anúncio da Boa-Notícia (Mc 1, 14-15).  A ordem é voltar para a missão.

O túmulo vazio é o sinal de que a ação de Deus em Jesus não termina aí,na morte e no medo.  Jesus de Nazaré ressuscitou e vai estar de novo no lugar onde havia começado sua atividade: na Galiléia.  Os discípulos só poderão encontrar-se denovo com Jesus, se continuarem o projeto por ele iniciado. (Bíblia Pastoral)
                         

            Marcos nos convida a fazer a experiência da ressurreição no retorno à missão. É na comunidade missionária que Jesus se faz presente, vivo, ressuscitado, pela fração do pão pela Palavra.  É na comunidade que escutamos a Palavra viva que nos vem através do testemunho das mulheres que receberam o anúncio “Não fiquem assustadas... Ele ressuscitou!”. 
           
            Crer na ressurreição é voltar para a Galiléia, reunir a comunidade, afugentar o medo e a tristeza, partilhar as experiências na alegria, continuar a missão de Jesus através da vivência em comunhão e da solidariedade com os mais necessitados. Muitas vezes os discípulos deixaram de entender o que Jesus dizia e fazia (Mc 6, 52; 8, 17; 9, 10-32). No retorno a missão tudo irá começar a clarear, os gestos e as palavras de Jesus irão atingir plenamente seus significados.

Hoje somos convidados a fazer o mesmo:  celebrar a páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo que se manifesta na missão da Igreja, que leva vida a todas as pessoas.  Também somos chamados a descobrir e ir ao encontro de Jesus nas “Galiléias” de hoje, onde encontramos apelos por “boas-notícias” e fazemos a experiência da páscoa do Senhor, de sua morte e ressurreição.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Instruções (leis), ritual e santidade

Na bíblia, o livro do Êxodo relata as instruções dadas por Javé a respeito da construção do tabernáculo, altar dos holocaustos, artigos e vestes sagradas, assim como a maneira de consagrar Aarão e seu filhos e os objetos a serem usados no culto (Ex 25-31).  Conta também, como os israelitas executaram com fidelidade essas instruções dadas por Javé (Ex 35-40).

Já no início de Levítico encontramos as instruções sobre sacrifícios e tributos que Javé deu a Moisés (Lv 1-7) seguidas pelo relato da consagração dos sacerdotes (Lv 8-10) conforme o Senhor havia instruído em Êxodo.

As ilustrações abaixo nos ajudam a compreender melhor essas instruções, representando o tabernáculo, o altar, as vestes sagradas e outros artigos usados no culto a Javé.


Vista do tabernáculo criado por Gabriel L. Fink (Wikipedia)

Modelo do tabernáculo em Timna Valley Park, Israel

O Tabernáculo, Acampamento, & - Domínio Público, EUA (Wikipedia)

From "The Old Testament - A Historical and Literary Introduction...", pg. 129, by Michael D. Coogan
Sacerdotes Israelitas e peças do tabernáculo - Domínio Público, EUA (Wikipedia)


Estudiosos da bíblia identificam Levítico 17-26, chamado "Código de Santidade", como uma fonte separada porque nela se concentram palavras que têm raiz na palavra hebraica qodesh ("santidade"), traduzidas como "santo", "sagrado", "consagrado", "dedicado" etc.

O primeiro sentido da palavra qodesh é separação. O santo é aquilo que é separado do profano, do comum e do impuro. Por exemplo, Israel é santo porque foi separado por Javé das outras nações. "Sejam santos para mim, porque eu, Javé, sou santo. Eu separei vocês dos povos, para que vocês pertençam a mim" (Lv 20,26).

Vários graus de separação podem ser categorizados de acordo com pessoas, espaços e tempos. A figura abaixo retrata esses graus por uma series de círculos concêntricos: 

From "The Old Testament - A Historical and Literary Introduction...", pg. 147, by Michael D. Coogan
- minha trad. para o português



O conceito de santidade é central no "Código de Santidade" e está fundamentado no chamado de Javé que disse a Moisés: "Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: 'Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês, sou santo" (Lv 19,2). Na bíblia, a santidade de Deus consiste em sua alteridade, sua separação de tudo que é criado. Ao mesmo tempo, a santidade de Javé é encontrada no seu amor. Por isso Javé ordena no Código de Santidade o amor ao próximo e ao estrangeiro:
Ame seu próximo como a si mesmo. Eu sou Javé. (Lv 19,18b)
E se alguém migrar até vocês, e na terra de vocês estiver como migrante, não o oprimam. O migrante será para vocês um concidadão. Você o amará como a si mesmo, porque vocês foram migrantes na terra do Egito. Eu sou Javé, o Deus de vocês. (Lv 19,33-34)
As instruções (leis) e rituais dadas por Javé aos israelitas servem para fazê-los santos como Javé é santo. Vivendo essas instruções o povo incorpora na vida, na sua relação como o próximo, a aliança que o Senhor fez com ele. Assim como Javé é o totalmente Outro que se compadece do povo e age para libertá-lo, os israelitas, separados por Javé, devem agir com todos que são oprimidos. 

Finalmente, esta última ilustração é do templo construído pelo rei Salomão, narrado em 1Reis 6-7:




Que acontece no mundo em que vivemos?

Para não esquecer o que estudamos em Gênesis e o mandato de Deus para que cuidemos da Terra (cf. Gn 1,26-31), nossa casa comum:



"Crentes e não crentes concordamos que a terra é herança comum, cujos frutos devem beneficiar a todos.

Contudo, que acontece no mundo em que vivemos?

A relação entre a pobreza e a fragilidade do planeta requer outro modo de lidar com a economia e o progresso, concebendo um novo estilo de vida.

Porque precisamos de uma mudança que nos una a todos.

Libertar-nos da escravidão do consumismo.

Este mês, faço-te um pedido especial:

Que cuidemos da criação, recebida como um dom que é preciso cultivar e proteger para as gerações futuras.

Cuidar da casa comum."
Papa Francisco

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Êxodo 4,24-26 - O ataque de Javé

Este podcast analisa Êxodo 4,24-26, que relata o estranho ataque de Javé contra, supostamente, Moisés e a rápida ação de Séfora que usa de uma artimanha para apaziguar a divindade e salva Moisés.

Esta análise é para responder uma questão levanta por uma de nossas participantes do nosso estudo bíblico.

Ouça e comente essa passagem.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Irmã Dorothy, ✙ 12.02.2005

IRMÃ DOROTHY STANG,
SEMEADORA DE PROJETOS AGRÍCOLAS ALTERNATIVOS,
MÁRTIR [ANAPU, PARÁ, 2005).

Irmã Dorothy

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy foi uma freira norte-americana naturalizada brasileira.

Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes. Ingressou na vida religiosa 1948, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência – em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Illinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona).

Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão. Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da Transamazônia. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região. Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará.

A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e conseqüente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.

Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”.

Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos.

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com sete tiros, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou “eis a minha arma!” e mostrou a Bíblia Sagrada. Leu ainda alguns trechos das Sagradas Escrituras para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heróicas da matrona cristã.

Fonte: Pias Discípulas do Divino Mestre

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Os dez mandamentos


Êxodo 20, 2-17
Deuteronómio 5, 6-21
Fórmula Catequética
Eu sou o Senhor teu Deus,
Que te tirei da terra do Egipto,
dessa casa da escravidão.
Não terás outros deuses perante Mim.
Não farás de ti nenhuma imagem esculpida,
nem figura que existe lá no alto do céu ou cá em baixo na terra
ou nas águas debaixo da terra.
Não te prostrarás diante delas
nem lhes prestarás culto porque eu,
o Senhor teu Deus, sou um Deus cios:
castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração
daqueles que Me ofendem;
mas uso de misericórdia até à milésima geração
com aqueles que Me amam
e guardam os meus mandamentos.
Eu sou o Senhor teu Deus,
que te fiz tirei da terra do Egipto dessa da casa da escravidão.
Não terás outros deuses diante de Mim...







Primeiro: Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.
Não invocarás em vão
o Nome do Senhor teu Deus,
porque o Senhor não deixa sem castigo
quem invocar o seu Nome em vão.
Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus...
Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão.
Lembrar-te do dia do Sábado
para o santificar.
Durante seis dias trabalharás
e farás todos os trabalhos.
Mas o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus.
Não farás nele nenhum trabalho,
nem tu, nem teu filho ou tua filha,
nem o teu servo nem a tua serva,
nem o teu gado, nem o estrangeiro que vive em tua cidade.
Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra,
o mar e tudo o que eles contêm:
mas ao sétimo diz descansou.
Por isso o Senhor abençoou
o dia de sábado e o consagrou.
Guarda o dia do sábado para o santificar
Terceiro: Santificar os domingos e festas de guarda. 
Honra pai mãe,
a fim de prolongares os teus dias
na terra que o Senhor teu Deus te vai dar.
Honra teu pai e tua mãe... 
Quarto: Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
Não matarás.
Não matarás.
Quinto: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).
Não cometerás adultério. 
Não cometerás adultério. 
Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras.
Não roubarás.
Não roubarás.
Sétimo: Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo).
Não cobiçarás a casa do teu próximo.

Nono: Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
Não desejarás a mulher do próximo, nem o seu servo nem a sua serva,
o seu boi ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença.
Não desejarás a mulher do teu próximo;Não cobiçarás ... nada que pertença ao teu próximo.

Décimo: Não cobiçar as coisas alheias.


O DECÁLOGO NA SAGRADA ESCRITURA

2056. A palavra «Decálogo» significa literalmente «dez palavras» (Ex 34, 28: Dt 4, 13: 10, 4). Estas dez palavras, Deus as revelou ao seu povo na montanha sagrada. Escreveu-as com o «seu Dedo» (6), o que não aconteceu com os outros preceitos escritos por Moisés (7). São palavras de Deus num sentido eminente e foram-nos transmitidas no Livro do Êxodo(8) e no do Deuteronómio (9). Desde o Antigo Testamento que os livros santos fazem referência às «dez palavras» mas é na Nova Aliança em Jesus Cristo que será revelado o seu sentido pleno.

2057. O Decálogo compreende-se, antes de mais nada, no contexto do Êxodo que é o grande acontecimento libertador de Deus, no centro da Antiga Aliança. Quer sejam formuladas como preceitos negativos ou interdições, quer como mandamentos positivos (por exemplo: «Honra teu pai e tua mãe»), as «dez palavras» indicam as condições duma vida liberta da escravidão do pecado. O Decálogo é um caminho de vida:
«Se amares o teu Deus, andares nos seus caminhos e guardares os seus mandamentos, leis e costumes, viverás e multiplicar-te-ás» (Dt 30, 16).
Esta força libertadora do Decálogo aparece, por exemplo, no mandamento sobre o repouso do sábado, que abrange igualmente os estrangeiros e os escravos:
«Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço poderoso» (Dt 5, 15).
2058. As «dez palavras» resumem e proclamam a Lei de Deus: «Estas palavras dirigiu-as o Senhor a toda a vossa assembleia sobre a montanha, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, com voz forte, sem acrescentar mais nada: escreveu-as em duas tábuas de pedra e entregou-mas» (Dt 5, 22). Por isso é que estas duas tábuas são chamadas «o testemunho» (Ex 25, 16). De facto, elas contêm as cláusulas da aliança concluída entre Deus e o seu povo. Estas «tábuas do testemunho» (Ex 31, 18; 32, 15; 34, 29) devem ser depositadas na «arca» (Ex 25, 16: 40, 1-2).

2059. As «dez palavras» são pronunciadas por Deus no decurso duma teofania («sobre a montanha, no meio do fogo, o Senhor vos falou face a face»: Dt 5, 4). Fazem parte da revelação que Deus fez de Si mesmo e da sua glória. O dom dos mandamentos é uma dádiva do próprio Deus e da sua santa vontade. Dando a conhecer as suas vontades, Deus revela-Se ao seu povo.

2060. O dom dos mandamentos e da Lei faz parte da Aliança selada por Deus com os seus. Segundo o Livro do Êxodo, a revelação das «dez palavras» teve lugar entre a proposta da Aliança (11) e a sua conclusão (12) depois de o povo se ter comprometido a «fazer» tudo o que o Senhor tinha dito e a «obedecer» (13). O Decálogo nunca é transmitido sem primeiro se evocar a Aliança («o Senhor nosso Deus firmou connosco uma Aliança no Horeb»: Dt 5, 2).

2061. É no âmbito da Aliança que os mandamentos recebem o seu pleno significado. Segundo a Escritura, o procedimento moral do homem atinge todo o seu sentido na e pela Aliança. A primeira das "dez palavras" lembra o amor primeiro de Deus pelo seu povo:
«Como, em castigo do pecado, se tinha dado a passagem do paraíso da liberdade para a escravidão deste mundo, por esse motivo, a primeira frase do Decálogo, primeira palavra dos mandamentos de Deus, incide sobre a liberdade: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, de uma casa de escravidão" (Ex 20, 2: Dt 5, 6)» (14).
2062. Os mandamentos propriamente ditos vêm em segundo lugar e traduzem as implicações da pertença a Deus, instituída pela Aliança. A existência moral é resposta à iniciativa amorosa do Senhor. É reconhecimento, homenagem a Deus e culto de acção de graças. É cooperação com o plano que Deus prossegue na história.

2063. A Aliança e o diálogo entre Deus e o homem são ainda comprovados pelo facto de todas as obrigações serem enunciadas em primeira pessoa ("Eu sou o Senhor...") e dirigidas a um outro sujeito ("tu..."). Em todos os mandamentos de Deus, é um pronome pessoal singular que designa o destinatário. Ao mesmo tempo que a todo o povo, Deus faz conhecer a sua vontade a cada um em particular:
«O Senhor prescreveu o amor para com Deus e ensinou a justiça para com o próximo, para que o homem não fosse nem injusto nem indigno de Deus. Assim, através do Decálogo, Deus preparava o homem para se tornar seu amigo e ter um só coração com o seu próximo [...]. As palavras do Decálogo continuam a ser para nós [cristãos] o que eram; longe de serem abolidas, elas receberam amplificação e desenvolvimento, com o facto da vinda do Senhor na carne» (15).

Catecismo da Igreja Católica 

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